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A mais longa das secas

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Os meteorologistas, que trabalham com estatísticas, podem me corrigir se eu estiver errado, mas não lembro de uma estiagem tão prolongada nas últimas décadas como a que estamos vivendo. Há mais de nove meses chove muito pouco, abaixo da média histórica, em diversas regiões do Estado. Aqui na Serra faz um ano que não cai uma chuva de verdade, me dizia ainda ontem um enólogo de uma vinícola de Bento Gonçalves. Saímos de um verão extremamente seco para um outono com pouca chuva, e a safra de inverno já começa ameaçada por uma estiagem persistente. O problema da triticultura gaúcha sempre foi o excesso de umidade, que favorece o surgimento de doenças fúngicas, não a escassez de água que, agora, ameaça o potencial produtivo do trigo.
É uma situação atípica, com a qual técnicos e produtores não estão acostumados a trabalhar. Se o ciclo de chuva do inverno não se normalizar nos próximos dias, culturas como trigo ou cevada, que poderiam compensar as perdas com a soja e o milho da última safra, também correm perigo.

Fonte: Zero Hora | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho