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A difícil tarefa de resgatar a produção cafeeira no PR

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A cafeicultura, que foi a principal atividade econômica do Paraná dos anos 60 até meados da década de 70, antes de entrar em decadência no Estado, está no foco de um amplo projeto de recuperação. Entre outros pontos, o plano prevê o plantio de até 32 mil hectares do grão em quatro anos. A meta é elevar a produção, hoje inferior a 2 milhões de sacas por safra, para entre 3 milhões e 4 milhões. Mas, em larga medida, o sucesso da estratégia dependerá da renda da atividade e dos recursos que serão efetivamente aportados para impulsionar o segmento.

Na safra 1961/62, o Paraná produziu 24 milhões de sacas. A atividade começou a perder força em meados da década seguinte, com a forte geada que destruiu grande parte das plantações em 1975 e com o avanço da mecanização de outras culturas agrícolas, como milho e soja. E o declínio intensificou-se nos anos 90, quando uma crise marcada por forte queda dos preços e aumento dos custos atingiu em cheio o segmento, quadro que piorou com o fim do Instituto Brasileiro do Café (IBC) e dos pactos internacionais que buscavam sustentar as cotações.

Divulgação / DivulgaçãoWalter Ferreira Lima: próximo passo é levar ao governo a demanda por recursos

A erosão prosseguiu nos últimos anos. Segundo o Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado (Deral/Seab), a área cultivada com café no Paraná encolheu de 163,9 mil hectares, em 2000, para 91,4 mil em 2011, uma queda de 44,2%. A produção caiu 18,2% na comparação, de 2,2 milhões para 1,8 milhão de sacas.

Apesar dos percalços, o Paraná ainda é o quinto maior Estado produtor do país – Minas Gerais lidera essa ranking -, com o cultivo concentrado sobretudo no Norte Pioneiro, em outras áreas do norte e no noroeste. Mas a produção atual sequer atende à demanda estadual, estimada em 3,6 milhões de sacas por ano – entre exportação e consumo das indústrias locais. Mais de 80% das propriedades paranaenses são pequenas, com dificuldades para mecanização. Além disso, o endividamento dos produtores alcança atualmente R$ 82,3 milhões.

Lançado em maio pela Secretaria da Agricultura do Estado em conjunto com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado (Faep), entre outras entidades, o "Plano de Reestruturação e Difusão de Tecnologia para Cafeicultura Paranaense" prevê recursos financeiros para custeio, investimentos, renovação e aumento de área, aquisição de máquinas, reordenamento das dívidas e implementação de um modelo tecnológico para pequenos e médios agricultores.

Para chegar aos 32 mil hectares de ampliação de área, o objetivo é atingir a média de 8 mil hectares adicionais por safra nos próximos quatro anos. Também está programado o manejo de podas em 54 mil hectares e o posterior preparo dessas áreas para mecanização. A ideia é que produtividade média dos cafezais aumente das atuais 22 sacas por hectare para, no mínimo, 40 sacas.

O plano também prevê ampliação de assistência técnica, certificação da produção e uma linha de seguro contra perdas. Outra meta é atrair mais empresas para estimular a concorrência. Há apenas duas grandes cooperativas que recebem o produto no Paraná, além de duas indústrias, conforme Walter Ferreira Lima, presidente da comissão de café da Faep e gerente da Câmara Setorial do Café do Estado do Paraná.

O plano prevê que o crédito disponível para a recuperação alcance R$ 879,2 milhões, dos cofres dos governos estadual e federal. Nesse sentido, o próximo passo é levar a demanda ao governo federal.

Paulo Franzini, coordenador do setor de café do Deral, acredita que a reestruturação da atividade no Estado só será possível em locais mais avançados em tecnologia, como o Norte Pioneiro, e dependerá da renda da atividade. Mas lembra que, apesar da redução de área, de 2000 em diante houve uma melhoria da qualidade do café do Paraná, e que a cafeicultura é viável e pode dar lucro. "Poucas atividades dão produtividade em áreas pequenas como o café".

Porém, o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, observa que os preços recuaram desde o início do ano e que os custos aumentaram. Nesse contexto, diz, não haverá aumento da área de produção no Estado ou no país.

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