A DIFÍCIL EQUAÇÃO DO TRIGO GAÚCHO

Depois das dificuldades enfrentadas na venda da safra passada, quando a colheita somou recorde de 3,35 milhões de toneladas, os produtores de trigo do Estado resolveram se antecipar, pedindo ao governo a liberação de recursos para ajudar a garantir preços nas negociações do cereal na atual temporada.
Ao circular pela Expointer, em Esteio, ontem, o ministro da Agricultura, Neri Geller, garantiu a liberação de R$ 350 milhões para operações com objetivo de escoar a produção gaúcha. Desse total, R$ 200 milhões serão colocados à disposição nas chamadas Aquisições do Governo Federal (AGF).
Outros R$ 150 milhões servirão para os leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro).
– Irá contemplar todo o excedente – afirmou Geller.
Ainda que a liberação atenda a reivindicações que vinham sendo feitas pelo setor, há um entendimento diferente sobre o volume da produção que será possível negociar com a ajuda desses mecanismos.
Economista da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecogaro), Tarcísio Minetto avalia que esses valores permitirão escoar 2,5 milhões de toneladas.
– Achamos que serão necessários mais recursos – afirma Minetto.
Os preços do cereal em queda mostram a razão para a preocupação e para os pedidos do produtor. No ano passado, em setembro, a saca de 60 quilos estava valendo, em média, R$ 38. Neste ano, gira em torno de R$ 28.
A atual produção gaúcha poderá somar 3,03 milhões de toneladas, conforme estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento. A questão é que ainda existe trigo do ano passado por vender.
– É preciso atender a safra que está represada – diz Carlos Sperotto, presidente da Federação da Agricultura do Estado.
Depois de R$ 18 milhões investidos na ampliação da GSI, que terá nova unidade em Passo Fundo, a Agco – que tem ainda no seu guarda-chuva as marcas Massey Ferguson e Valtra – deixa clara a aposta em armazenagem. A capacidade de fabricação de silos praticamente duplicará (na foto acima, a fábrica de Marau). A estrutura nova – um prédio alugado – dará início às operações em novembro deste ano, estima André Carioba, vice-presidente sênior e gerente geral da AGCO na América do Sul, que conversou com a coluna em Esteio:
– Os próximos investimentos tendem a ser em armazenagem. A carência neste segmento é bem maior. O Brasil usa caminhão como armazém.
O próximo passo da expansão no segmento já está em análise, embora não tenha proposta definida. Novas regiões agrícolas do país, onde a produção de grãos cresce, estão no radar da empresa.
A meta é abocanhar fatia maior do mercado de armazenagem, passando dos atuais 6%para algo entre 20% e 25%.
Carioba também vislumbra uma possibilidade futura de ampliação na unidade de implementos em Ibirubá.
Quanto ao desempenho do setor de máquinas em 2014, o tom é de cautela, considerando o contexto atual. Ontem, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou as estatísticas mais recentes.
No acumulado do ano, houve queda de 18,9% no número de máquinas vendidas. Claro, 2013 foi um ano de recordes, um “ponto fora da curva” como se tem dito. O executivo não descarta a necessidade de ajustes no ritmo da produção. ESPAÇO PARA ARMAZENAR

  • NO RADAR

    O ministro da Agricultura, Neri Geller, disse que seguirá a orientação da Embrapa para bater o martelo sobre o percentual de refúgio a ser adotado nas lavouras brasileiras. A normativa que irá regular a prática sairá ainda a tempo do plantio de verão, garantiu.

  • BEM-ESTAR ANIMAL TEM PREÇO?

    Produção de escala é compatível com bem-estar animal? O tema que vem ganhando relevância esteve em discussão ontem no Campo em Debate, evento realizado por Zero Hora e Conselho Regional de Medicina Veterinária durante a Expointer.
    – Não existe alimentação saudável sem bem-estar animal – afirmou o colombiano John Jairo Buenhombre, professor do programa de Zootecnia da Fundação Universidade Agrária da Colômbia e consultor da Sociedade Mundial de Proteção Animal.
    Ângela Escosteguy, presidente da Comissão de Pecuária Orgânica da Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária, observou que, embora o consumidor ainda não tenha bem claro o conceito de bem-estar animal, o fato de estar se preocupando com isso é um avanço.
    – Sustentabilidade da produção animal e bem-estar só irão para frente se garantirem renda ao produtor – afirmou o diretor de sanidade animal do Conselho Nacional de Pecuária de Corte, Sebastião Guedes.
    Balanço parcial da Expointer divulgado ontem indica que os negócios somam
    R$ 1,6
    bilhão
    nos seis primeiros dias de Expointer. No quantia estão incluídas propostas de máquinas, agricultura familiar, artesanato e leilões.
    A três dias do fim da Expointer, os bancos calculam os negócios encaminhados dentro do parque. O presidente do Banrisul, Túlio Zamin, diz que, até ontem, 367 operações haviam sido encaminhadas, somando R$ 123 milhões.
    No Sicredi, eram mais de 1,5 mil pedidos, com volume superior a R$ 150 milhões.

Fonte: Zero Hora