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A CAMINHO DA TERCEIRA SUPERSAFRA

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AUMENTO DA ÁREA DA SOJA está entre os principais motivos para a projeção de nova colheita recorde no Estado. A cultura deve ganhar 140 mil novos hectares em locais ocupados pela pecuária ou pelo arroz. As estimativas para o ciclo 2014/2015 foram divulgadas pela Emater na Expointer, onde produtores e criadores buscam tecnologia para aprimorar a produção

Se as projeções se confirmarem, com boas condições climáticas e investimentos dos produtores, o Rio Grande do Sul poderá colher a terceira supersafra seguida de grãos. Com a soja alcançando a área histórica de 5 milhões de hectares plantados, as lavouras de verão (soja, arroz, milho e feijão), deverão trazer mais R$ 21,82 bilhões à economia gaúcha em 2015 – cerca de R$ 2 bilhões acima da safra histórica deste ano.
As estimativas para o ciclo 2014/2015 foram divulgadas ontem pela Emater, durante a 37ª Expointer, onde produtores e criadores buscam tecnologia para aprimorar a produção.
– O agricultor está capitalizado depois de duas safras cheias seguidas – lembra Lino de David, presidente da Emater.
Os prognósticos positivos são reforçados pela previsão do fenômeno El Niño, que costuma beneficiar as lavouras de verão, com precipitação acima da média na primavera – período de floração das culturas.
– Ainda é cedo para cravarmos qualquer coisa, pois trabalhamos com estimativas. Mas esperamos uma nova boa safra – destaca Gervásio Paulus, diretor-técnico da Emater.
A maior produção deve ser puxada especialmente pelo aumento da área de soja, de 2,8% em relação ao ano passado. Dos 141 mil novos hectares, 88 mil são em espaços tradicionalmente ocupados pela pecuária em campos nativos ou pelo arroz. De 2005 a 2014, a área com a oleaginosa aumentou 117% na Fronteira Oeste e 243% no Sul.
Produtor e pecuarista em São Gabriel, município da Metade Sul que triplicou a área com soja nos últimos cinco anos, Matheus Suñé Spolidoro, 25 anos, veio até a Expointer para investir em máquinas e em genética de hereford e braford. Com 500 hectares do grão cultivados e 900 vacas em cria, Spolidoro tem conseguido aumentar a produtividade com a integração de lavoura e pecuária.
– A soja tem sido o vetor da pecuária. Os 20% da área cultivados com o grão respondem por 50% do faturamento da nossa propriedade – destaca Spolidoro, administrador da Estância PAP Namür Paixão Suñé.
O rendimento alcançado com a oleaginosa tem permitido à estância investir em tecnologia com máquinas e em genética animal.
– Uma atividade complementa a outra, trazendo ganhos de produtividade para o gado e nos capitalizando – completa Spolidoro.
Em meio ao otimismo, o economista-chefe da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, prevê um cenário de estabilidade nas lavouras gaúchas no próximo ano – devido à baixa nos preços da soja.
– O produtor assume riscos conforme os preços, ele reage ao ambiente em que está inserido – pondera o economista, referindo-se também à retração da economia brasileira.
VALOR SE CONFIRMA SE HOUVERALTA DE PREÇO, DIZ ECONOMISTA
O efeito da colheita repercute diretamente em outros segmentos no Estado. Marcos Oderich, coordenador do conselho de agroindústria da Federação e do Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs/Ciergs), diz que a indústria de alimentos inveja o setor de máquinas agrícolas.
– O setor metalmecânico está mais uma vez sendo beneficiado, e talvez seja um dos motivos pelos quais a agricultura esteja dando esses saltos aqui no Estado, porque está melhorando muito o nível de trabalho do agricultor – afirma.
Oderich considera preocupante o momento no setor industrial de alimentos, pois afirma que se tornou mais rentável vender o grão do que produzir no próprio Estado.
Na avaliação de Luiz Carlos Bohn, presidente da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), a percepção de crescimento nas regiões produtoras pode não ser tão sentida, pois neste ano já houve uma situação favorável, que beneficiou o desempenho do comércio.
Para o economista Igor Morais, professor da Unisinos e sócio-diretor da Vokin Investimentos, a projeção mostra um crescimento importante, mas que não deve ter impacto suficiente para fazer o PIB gaúcho se afastar do cenário de baixa que contamina o país.
– A previsão da Emater só funcionará se houver aumento de preço e se o clima ajudar – calcula.
joana.colussi@zerohora.com.br leticia.costa@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI E LETÍCIA COSTA

MULTIMÍDIA

Fonte: Zero Hora