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2012: o ano da soja

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Em artigo, presidente da Aprosoja diz que período será positivo para os produtores do grão

por Glauber Silveira

José Medeiros

Presidente da Aprosoja, Glauber Silveira, acredita que, mesmo com a crise internacional, mercado da soja será positivo

Sempre que chega o fim do ano, os produtores se perguntam como será o próximo, o que se espera é que ele sem dúvida seja melhor que o anterior. A expectativa é que 2012 seja um ano bom para o setor da soja, uma vez que a demanda deve continuar crescendo. Durante os últimos anos, a demanda de soja tem crescido significativamente e este crescimento tem resistido às crises mundiais. A primeira razão é a não renovação deste segmento, não se descobriu ainda uma proteína tão barata quanto à soja.

Claro que diante da crise da Europa e as turbulências na economia dos Estados Unidos toda a economia global é afetada, e com isto o preço das commodities tende a cair, mas no caso da soja existem fatores que podem influenciar o preço, não deixando que ele sofra tanto quanto outrosprodutos agrícolas.

O preço do grão está muito ligado à demanda do óleo, não só o de soja, mas também o de palma, o que trás uma noticia positiva para o setor da soja. A produção de óleo de palma do mundo vai reduzir em 5,5 mil toneladas para o próximo ano. Isto devido às condições climáticas.

A China hoje esta influenciando muito o mercado por não ser tão livre, principalmente pela política rígida de controle através de tarifas sobre produtos industrializados, fazendo com que o óleo de palma fique menos competitivo, aumentando muito seu custo de importação pelas indústrias chinesas, isto favorece a importação de soja do Brasil.

A produção de biodiesel deve crescer, pois o Brasil e a Argentina estão consumindo mais. Com isto, aumenta o consumo de óleo e, consequentemente, influencia positivamente o preço da soja no mercado interno brasileiro. Devido a acordos internacionais a produção de biodiesel cresce em todo o mundo, com isto se estima um aumento da demanda maior que o aumento da oferta.

Algumas certezas para 2012 podemos ter: a China vai continua influenciando muito o mercado das commodities, a produção nos países desenvolvidos não cresce, a demanda por alimentos continua crescendo, com índices mais modestos, mas positivos, China e Índia devem reduzir taxas de juros, o preço do óleo tende a subir, continuaremos tendo muita volatilidade nos preços ao longo de 2012.

Como podemos ver, 2012 deve continuar sendo um ano positivo para o agronegócio, mas é importante observar que a rentabilidade do setor deve ser mais apertada, pois apesar da demanda crescente o mundo que come tem menos dinheiro, o custo de produção continua alto e sempre demora mais para cair que para subir. Sendo assim, 2012 é um ano para se estar com o pé no chão. Vamos crescer aproveitar as oportunidades, mas com segurança.

No mais, ninguém tem bola de cristal, o importante é fazer as contas, brigar no preço, ficar atento ao mercado. Momentos positivos sempre surgem. A safra sul-americana continua incerta. Ninguém se entende na estimativa de produção. Claro, o clima está deixando muito produtores preocupados, podendo ocorrer quebras em algumas regiões, o que pode fazer com que o preço se mantenha em patamares de rentabilidade. Mas oportunidades devem surgir. Fique atento.

Fonte:  Globo Rural